Sábado, Novembro 21


pois o que a gente busca
nas dobras do amor
é a cura para a morte
que não tem consolo

Fernando Assis Pacheco, R., 1992, "Respiração assistida"
Le Roman de la rose - The Garden of Pleasure (e-card da British Library)


GILBERT BECAUD " LES MARCHÉS DE PROVENCE "

E é assim

(...) persisto na ideia de conviver harmoniosamente com a modernidade embora só me sinta feliz no reduto do que já conheço. Uma agenda Filofax. Um disco que já ouvi. Um autor que não me surpreende, Uma bebida que conheço há anos. O eterno cozido à portuguesa do Painel de Alcântara. O croquete do Gambrinus. Vergilio Ferreira. João Gilberto. O pastel de massa tenra do Frutalmeidas. Gosto do que é novo, mas o confronto cansa-me. Gosto de conhecer novas cidades, mas logo que posso volto a Londres e a Barcelona, (...) Propositadamente, misturo o que não se mistura - para que se perceba que há, no conservador não assumido, algo que está aquém e além da ideologia ou sequer da cultura familiar. Como se tivesse uma marca genética que não se consegue vencer por decreto."
Pedro Rolo Duarte "Voz baixinha: sim, eu sou...."
Jornal I. Esta semana "Conservadores".

Também, "Porque não sou conversador" de Rogério Casanova e entrevista com João Pereira Coutinho, alguns amigos, locais e objectos nos quais me reconheço.

Sexta-feira, Novembro 20

Com penas



Andam meio apardalados, os pássaros da minha janela. Noutros tempos, logo que começava a escurecer, enfiavam a cabeça sob as asas e assim ficavam até o sol nascer. Caladinhos, sem piar.
Not anymore. Agora ouço-os tagarelar à luz do dia e, incansáveis, não param quando o sol se põe. Tomam coisas esquisitas os pássaros da minha rua, baralham-me o dia e a noite, privam-me dos sinais que induzem o sossego, como o toque de campainha, o apito de uma fábrica ou o sino das Avé-Marias. Como a Irmã M., que rezava ao som da buzina do meio-dia no quartel de bombeiros.
Diz-me um entendido que já deveriam, por esta altura, ter partido para as terras quentes do sul, mas vão ficando por cá, a passarinhar, com as temperaturas amenas que encontram nas árvores da cidade. Afinal, a natureza é muito simples.
Chilreiam todo o dia, twitam, namoriscam sem sair dos galhos, comunicam sem saltar dos ramos, enfileirados, truculentos, todos iguais, tagarelas, desconfio que gostam de se ouvir. Os mais inquietos saltitam de árvore em árvore, uma bicada aqui, uma vénia acolá, à procura de comida ou companhia em vôos solitários rasantes à minha janela sem beira, disputando o espaço com acerto, conhecedores do norte e do sul. Não tenho asas, mas tenho pena, não vos entendo.
(Imagens: Edward Hopper)

3 anos


Dia 24 de Novembro é a festa dos 3 anos do 31 da Armada. No Lollipop (LX Factory) às 22:30.
Sou pessoa para garantir que, à semelhança das anteriores, há-de ser uma grande festa.

Quinta-feira, Novembro 19


Bird On The Wire Leonard Cohen

E as manhãs, o que são?*

Descobri há pouco tempo que não conhecia as manhãs. Para as manhãs, nunca estou. Vou, regresso, corro, já com a luz posta, com a cidade em movimento em edíficios fechados. Quando as ruas se esvaziam e cada um toma o seu lugar, a manhã enche-se dos seus habitantes, gente com quem não me cruzo nas manhãs dos meus dias a néon e ar condicionado, que toma o espaço que os outros libertam, com um ritmo mais lento, com passo menos seguro e com mais tempo. São os idosos, os reformados nos correios com as notas, as facturas e as pensões, os casais nos bancos à procura de uma vida em casas sonhadas, as mulheres e os homens com impressos, sisas, obrigações, fichas de chamada nas finanças, uma geração de mulheres sem impostos e sem rendimentos, de alcofa e porta-moedas que percorre o mercado, ao peixe, à carne que há-de ter pronta à noite para os seus.
Vejo-as chegar no 47, acordadas há muito, com o saco, o almoço, o avental, a bata, os sapatos para trocar, o carteiro a tocar às campainhas de casas vazias com contas a pagar, notícias e cartas timbradas. Sem farda, os cobradores tentam arrecadar as quotas, os fiscais fazem vistorias, os limpa-chaminés vão tentando a sua sorte e, lá ao longe, ainda se ouve o assobio do amolador. Nas zonas de comércio, há muito que os pedintes tomaram os seus lugares, os artesãos arrumaram a mercadoria e os homens dos retratos prepararam as tintas.
O trânsito, condicionado e programado à força de sinais, tenta mexer-se, encaixar-se nas ruas estreitas das descargas e circular por entre o caos das avenidas na pressa para o escritório. Os arrumadores vão chegando pouco a pouco, acordando lentamente de ressacas sem fim, tentam as primeiras moedas para a dose do dia e junto aos semáforos, juntam-se o velho Borda d'Água e os novos jornais. São os tempos modernos.
São estas manhãs que terminam quando as ruas se enchem de novo, de gente a correr, barulhenta, com horas marcadas, relógios de ponto e estômagos vazios. A estes conheço-os, ocupamos os mesmos espaços, caminhamos lado a lado, cruzamo-nos sem nos vermos e mais tarde, já quase sem luz vamos esvaziando as ruas e enchendo as estradas na viagem de volta. Até ao outro dia. Para mim, para eles, sem estas manhãs que não vemos.
*
.
Texto editado, para a C.

Quarta-feira, Novembro 18

Do outro lado


Ensinam os genealogistas que se deve mencionar, no verso das fotografias, informação que permita, no futuro, identificar as imagens, ou seja, o local, os intervenientes, a data, a ocasião, etc.
São curiosas, as fotografias antigas, com o seu habitat natural em velhos álbuns, gavetas de cómodas ou caixas antigas. São, na maior parte das vezes, registos de momentos felizes ou simplesmente formais, onde se encontra um pouco de tudo, desde fotografias de estúdio com meninos vestidos de marinheiro, de carnaval, o fato da 1ª comunhão, o bebé gorducho com os refegos , até casais janotas em cadeiras compridas, qual dos dois com o bigode mais garboso.
Tal como agora, lá estão as fotografias ao lado da personalidade importante, influente, abastada, o presidente, o patrão, o senhor engenheiro ou o parente rico. Hoje chamam-se celebridades ou ronaldos, não desfazendo na carreira meritória dos jogadores de futebol nem nos grandes feitos e vidas gloriosas das pessoas conhecidas como "importantes".
Saídas das molduras, lá estão as fotografias dos homens fardados da família, em tempos de guerra, registos de locais e gentes exóticas, guardadas na esperança de até ao meu regresso. E claro está que não poderiam faltar as imagens perto de monumentos, à la minute, os casamentos, as férias, e os parentes afastados a quem perdemos o nome e o rasto.
Do outro lado, no verso, mãos zelosas registaram ocasiões para que não se perdessem nas recordações nem nas gavetas, como um teatrinho de escola. É nisto que o digital fica a perder, feito de caracteres normalizados sem mãos que acarinham as memórias.

Terça-feira, Novembro 17

Num vulcão perto de si



Assim ficou a terra quando a lava se cansou de correr para o mar.
Por aqui andou também a Rachel Welsh nos finais dos anos 60 a filmar o filme One Million Years B.C. Não sei se, passados tantos anos, seria uma boa ideia vê-la emergir das águas escuras, mas a qualquer momento pode surgir a Estátua da Liberdade como no Planeta dos Macacos.
Não me recordo de alguma vez ter visto tal filme, mas às horas tardias a que irá para o ar, não será a Rachel Welsh nem as dentuças de qualquer dinaussário que me tiram o sono.
(Lanzarote)


Longe da política que me agasta e dos inflamados fracturantes cheios de "direitos fundamentais", fico-me com as palavras do Filipe Nunes Vicente sobre a felicidade , com a série"Uma questão de transportes", com o delicioso Saponáceo, tudo isto acompanhado ao piano com as fotografias do Jansenista.
Não fico mais animada, mas nem sempre a boa escrita tens fins recreativos.

Domingo, Novembro 15


Daniel Barenboim - Moonlight sonata - 1ºmov Adagio sostenuto
Beethoven - Sonata No. 14 C sharp minor Op. 27 No. 2



Jacqueline du Pré: A Celebration of Her Unique & Enduring Gift

Sábado, Novembro 14

Coisas antigas


Valha-me Deus, mas esta louça ainda existe, ainda sobrevive ao fim de tanto tempo? Eram horríveis, aqueles armários de cozinha das cidades junto à fronteira, cheios de pyrex esverdeados e amarelos, fruto de um ingénuo contrabando com que os nacionais se entretinham aos fins de semana à míngua de outras diversões e da peseta barata.
Às vezes tento explicar aos mais novos, mas não conseguem compreender que a internet, as playstations e a Bershka nem sempre existiram. Não estranho. Já mulher, casada, voltei a alguns daqueles lugares, e faltavam-me sempre as palavras certas para explicar a alegria do passado que a escassez indígena nos provocava naqueles passeios de infância.
Durante anos, atazanei a minha mãe com traumas antigos que ela, sem contraditório e sem pestanejar, me causou até à idade adulta, obrigando-me a usar uns sapatos medonhos (caríssimos) que comprava em Espanha sempre que se aproximava o Inverno. Eu queria mocassins como os primos de Lisboa, mas o argumento era sempre o mesmo, que os meninos lá em baixo não apanhavam tanto frio. Deixa lá as galochas que isto não é a apanha da azeitona. Para me apaziguar, escolhia umas calças de ganga, um frasco de colónia da Puig e sabonetes pretos, de que não me recordo o nome. Os meninos compravam chumbinhos para a flober e davam-se por satisfeitos. No final do dia, havíamos todos de ir beber Coca-Colas como se não houvesse amanhãs e os adultos bebiam cerveja e petiscavam saladinhas deliciosas em balcões corridos, em locais onde entravam homens e mulheres. Sim, locais onde entravam homens e mulheres sem recriminação nem estigma. País da treta, o nosso.
Arrastada sem um ai para lojas de correeiros e de material de caça onde a língua nunca foi obstáculo, não via a hora de subir a escadas rolantes que me haveriam de levar à camisola exclusiva no liceu e ao êxito calculado na festa de garagem.
E foi assim, que durante anos a fio, as cozinhas das terras junto à fronteira se foram enchendo de garrafas La Casera (uma trampa de gasosa), pyrex variados, pimentão vermelho e condimentos para enchidos. A vizinhança agradecia as pantufas, os caramelos, o turrón (terrun, para os nacionais) e o brandy com o touro. Eu agradecia tudo, à excepção dos sapatos, e voltava sempre feliz.
Deixei estar a louça onde a encontrei. Suave contrabando, sobreviveu ao controlo da fronteira, a mudanças de casa, de mãos e há-de sobreviver assim nas minhas recordações.

Sexta-feira, Novembro 13

Entretanto, no Vida Breve, um dos meus blogs preferidos, vive-se assim:"
O jardim do Palace Hotel Bussaco, antes de me etilizar com três gin-tónicos na varanda e de perder sem qualquer dignidade ao crapô."
Perante um gosto irrepreensível, sempre acreditei que não é a ideologia que separa as pessoas.


Larry David - Lemonade




Absolutely Cuckoo - 69 love songs
Magnetic Fields

Quinta-feira, Novembro 12

Mas a "3ª via" teve o fim que se conhece

Porque leva um saco de bananas, perguntava um jornalista português em reportagem durante a Queda do Muro. "Para os meus filhos. Nunca viram bananas", foi a reposta do habitante de Berlim Oriental. É por estas e por outras que tenho dificuldade em compreender tantas hesitações e explicações titubeantes. Não sei porquê, mas recordo-me sempre de um sketch do Herman José no papel de Diácono Remédios com dificuldades em verbalizar a expressão "ver...melhos".

Nos documentários que têm passado recentemente nas televisões sobre os países de leste durante a Cortina de Ferro, antigas estrelas pop, fotógrafos, humoristas e escritores da antiga República Socialista da Checoslováquia descreveram a mentira e a hipocrisia em que todos pareciam estar envolvidos e explicaram como a retórica comunista, envolta em propaganda, era tão diferente da realidade.

Durante a Primavera de Praga, uma cidadã é acordada pela mãe: "Marta, fomos invadidos". "Mas invadidos por quem? Os americanos já cá estão. Porque querem invadir-nos?" Foi assim o começo da Operação Danúbio e do processo de normalização, em que o suicído de Jan Palach (imolado pelo fogo) viria a ser um símbolo da luta contra a repressão. As imagens de Václav Havel vigiado na sua própria casa deveriam transmitir alguma coisa, e que uma revolução, mesmo de veludo, implicou uma coragem mal silenciada de lutadores antigos.
Da Roménia de Ceauşescu vimos imagens da destruição da cidade antiga para que o ditador pudesse realizar o seu megalómano Palácio do Parlamento, os relatos da inúmeras mortes de operários durante a sua construção, a paranóia de trazer gente dos campos para as cidades, desenraizando-as das suas origens e enfiando-as em casas absolutamente miseráveis, com escassez de alimentos e torturados pelas baixas temperaturas.E quando já nada havia para comer, visto que todos os bens alimentares eram exportados, sobravam os pés de porco, verdadeiros patriotas que não saíam do país.
As derradeiras imagens deste casal de ditadores, repetidas vezes sem fim, mostravam uma Elena Ceauşescu (com mau cheiro, nas palavras do guarda) que gritava "Criei-vos como uma mãe". Bem vi, e nunca me hei-de esquecer, dos "seus filhos" deficientes abandonados como animais em instituições inqualificáveis.
É por isso que não percebo quando os ouço defender um regime apascentado por esta gente canalha.

O camarada Dubček teria gostado



Good Bye, Lenin!

Era de noite e fazia frio, em 9 de Novembro de 1989. As imagens dos documentários mostram mares de gente a atravessar uma estreita fronteira física entre duas cidades que os homens dividiram para separar homens e ideologias. Era também à noite que se ouviam tiros junto ao muro que derrubavam quem o ousava passar.
Era de noite quando milhares de berlinenses de leste sairam à rua depois de ouvirem, incrédulos, a informação saída do bolso de um dirigente confuso numa conferência de imprensa atabalhoada. As imagens que temos desses momentos não nos deviam deixar indiferentes e, por isso, tenho pena que os mais novos as troquem por patetices modernas em horário nobre. Se tivessem perguntado quem era aquela gente vestida de forma antiquada, saloia, pobre, em carros de plástico, ter-lhes-iam dito que houve tempos em que uma cortina de ferro dividia uma Europa que eles agora atravessam livremente.
Quando visitei Berlim pela segunda vez após a queda do muro, estive no Cafe Sybille na austera Karl Marx Allee, à espera de encontrar alguma coisa de um tempo perdido, cuja memorabilia se vende agora na rua a turistas e colecionadores. Pareceu-me que o ar do tempo também já tinha passado por ali, como um modesto café da minha província, à espera do camartelo. Dizem-me que o Café Adler junto ao Checkpoint Charlie já fechou e pertence actualmente a uma rede local de cafés. Agora, só a sua memória nos livros, filmes e nas histórias de espionagem.

Por isto tudo, coisas minhas, recordei as caricatas cenas do filme "Goodbye Lenin" com a improvisação patética de um telejornal a incensar Erich Honecker, a estátua do Lenin a ser retirada, e o anúncio da Ikea nos cartazes da cidade. Foi também o começo de uma história de amor em tempos de liberdade, mas isso agora não importa nada.





When You are Old
WHEN you are old and gray and full of sleep
And nodding by the fire, take down this book,
And slowly read, and dream of the soft look
Your eyes had once, and of their shadows deep;

How many loved your moments of glad grace,
And loved your beauty with love false or true;
But one man loved the pilgrim soul in you,
And loved the sorrows of your changing face.

And bending down beside the glowing bars,
Murmur, a little sadly, how love fled
And paced upon the mountains overhead,
And hid his face amid a crowd of stars.

William Butler Yeats

.

Neste mês de Novembro, cheio de sombras no nosso calendário dos afectos, e em particular neste dia, um poema a quem não vimos envelhecer. A saudade que temos deles e a falta que nos fazem.

Segunda-feira, Novembro 9

Excepcionalmente, porque dia não é dia, este sujeito em ceroulas. Ainda hoje, uma unha encravada na vida e na cabeça de muita gente. .

Sábado, Novembro 7

Je suis perdue from JMC on Vimeo.


JE SUIS PERDUE
por Gigi Gaston - video de Jean-Luc Godard
Do Almocreve das Petas

Obrigada

Quinta-feira, Novembro 5

Magnetic Fields - I Don't Believe in the Sun

Coisas de amigos


Lá de bem longe, o Combustões do Miguel
Falamos sempre de si.

Zarah Leander - Bitte an die Nacht (from "Damals")

Ao fundo da rua, Um amor atrevido

Je Maintiendrai, a falta que faz

Terça-feira, Novembro 3

Diz m o q escreves


Depois de diversos manuais e dicionários para chat, SMS e e-mail, espanta-me q ainda ninguém (q eu saiba) se tenha debruçado sobre a morfologia, sintaxe, semântica ou mesmo sobre a smsologia das mensagens (tipo de letra usada nas comunicações).
Por exemplo, a mim agrada-me uma mensagem em que o autor usa vírgulas com os respectivos espaços, coloca correctamente o ponto de interrogação antes do ponto de exclamação e termina com um brioso ponto final.
Recorrendo a um corpus muito limitado e a meia dúzia de casos, visto não guardar as mensagens, estou convencida de que um sms com esta correcção sintáctica diz muito sobre quem os redige. Ou seja, o autor é uma criatura que escreve bem e demonstra alguma dificuldade em abandalhar a escrita mesmo num écran com caracteres limitados. Cuidadoso na construção morfo-sintáctica de um post-it, carta, comunicado, parecer ou artigo técnico, revela-se incapaz de abandonar os mínimos olímpicos exigidos numa mensagem de telemóvel, por isso lhe foge o dedo para os sinais de pontuação
Com este post, espero que os meus contactos mais despachados não me levem a mal. Apesar de nem todos serem perfeccionistas, não os julgo uns autores relapsos, longe de mim. Nestas coisas, a gente sabe que a semântica é tudo. São todos muito bem-vindos ao meu telemóvel, com ou sem vírgulas, de preferência com boas notícias e simpáticas novidades.
Quem recebe os meus sms pode julgar que tenho muitos "actos falhados", mas é mesmo só falta de óculos.
.

Sem resposta

Muita gente, possuída de curiosidade internáutica, chega ao meu blog à procura de respostas para questões de grande densidade filosófica e intelectual tais como "video universitaria com a mini saia", "como costurar mini saia com pregas?", "torre de babel escavação", "coisas modernas", "estado de madrid,", "como emagrecer", "canas de pesca baratas" e até "calças de cintura descaida fazem deformam o corpo?"
Lamento muito, mas aqui não aprendem nada. Desgraçadamente, não sei fazer mini-sais, não tenho conhecimento de nenhuma universitária vítima de voyeurismo, se soubesse como emagracer estava milionária e magra, já tive o meu tempo de campanhas arqueológicas e não as tenciona repetir, Madrid estaria melhor sem o Zapa, de pesca nada sei, apesar de ter escrito sobre salmões e, por fim, esqueça as calças de cintura de descaída.
Move along, there's nothing to see here.

Domingo, Novembro 1

Meninos do campo, meninos da cidade

“Memoriais de Beira de Estrada”- Valter Vinagre


Fauré Requiem Introit Barenboim

"Estão caras as flores este ano", queixava-se uma matrona a uma vendedora de rua a fazer pela vida. Mas sempre comprou um ramo dos mais baratos, para o cemitério, explicou. Uma maçada, digo eu, tentando ler-lhe o pensamento, porventura injustamente, logo a ela, pertencente a uma derradeira geração que (ainda) se importa com as campas dos familiares.
Mas também é possível que haja gente a queixar-se de que estão caras as flores, tanta despesa para uma simples homenagem a quem lhes deixou a horta, meia dúzia de oliveiras e que os ajudou, anos a fio, a pagar o empréstimo da casa com as poupanças da modesta reforma, os mal agradecidos.
Mas os meninos precisam de levar para a escola máscaras do halloween, disfarces de bruxa, fatos de esqueletos, camisas com caveiras, lindas ilustrações com gadanhas, fantasmas e gatos pretos. Deve ser para cima de um dinheirão, mas os meninos gostam. Divertem-se muito com uma ficção animada da morte que vem com os chupa-chupas. Um negócio recente que, em nome da alegria das criancinhas e do sossego dos pais, acabou por florescer.
Nada me move contra este folclore, mas lamento que se estejam a esquecer e a abandonar tradições profundamente enraízadas nos nossos meios rurais e que as novas gerações, muitas vezes afastadas das suas origens, já não as conheçam.
Vendo bem, o merchandising dos católicos é bem pobrezinho:singelas velas funerárias e um ramo de flores frescas ou secas as quais, no dizer da empregada da drogaria "duram um ano no cemitério". Fraco negócio. Flores horrendas.
Bem explicava o Padre António Vieira nas suas pregações que "é a festa mais universal e a festa mais particular, a festa mais de todos e a festa mais de cada um", no "Sermão de Todos os Santos". Julgo que esteja fora de moda, sem barrete de feiticeiro nem vassoura de bruxo.
Aos nossos mortos, àqueles a quem devemos mais do que a vida, "Dai-lhes Senhor o Eterno descanso, entre o Esplendor da Luz Perpétua".

Berlim (3)






Berlim (2)




Domingo à tarde (2)

Vasculhei a gaveta e nada: instrumento para descacar batatas, ralar o queijo, espremer o alho, o limão, tirar o meio do ananaz, descaroçar ginjas e há mesmo quem tenha alguém que lhe tire as grainhas das uvas. Não falo sequer de uma geringonça para descascar as castanhas ou as romãs, que isso seria pedir muito, mas não encontro nada apropriado para dar, nas castanhas, o corte necessário antes de irem para a panela ou para o forno.
Uma faca bem afiada seria o ideal e já experimentei. Se cortou a castanha não sei, mas o dedo esquartejado ainda o sinto. Ao contrário do que muitas mulheres pensam, o nosso corpo reaje ao calor do forno, às lâminas das facas de cozinha e às altas temperaturas do ferro de engomar. Não somos uma extensão das luvas térmicas nem do faqueiro de cozinha, é o que repito sempre que me arrisco, sem cuidado, a vencer as lâminas e o calor. A prova é que, na maior parte das vezes, o algodão não engana, literalmente.

Berlim, 20 anos depois da queda do Muro (1)





Celebrações da queda do muro no Twitter:

The Berlin Twitter Wall: Share your thoughts on the Fall ofthe Berlin wall

Domingo à tarde (1)

Tristes cafés os nossos, de tão bregas e reles. Prefiro o antigo e familiar cheiro a tabaco, aos higiénicos e nojentos odores a guisados e panelas ao lume.
Um café e um queque com cheiro peganhento a refogado de carne picada logo cedo, aspectos da modernidade saloia de que não conseguirmos escapar. Querem que vivamos saudáveis, mas muito mal cheirosos.

Sábado, Outubro 31

Fim de tarde


(Sérgio Godinho - Com Um Brilhozinho Nos Olhos)

Não se lhe conhecia um namorado, uma paixão, um devaneio ou um desvario. Via-a sempre com a roupa entre o clássico e o antiquado. Os sapatos com o modelo de sempre, tacão médio e o cabelo com um corte que valha-nos Deus. Sempre que viajei no carro dela, encontrava sempre os mesmos cds, o Eros Ramazzotti e o Alejandro Sanz, mas curiosamente nunca lhe detectei ponta de nostalgia romântica. Como mulher de hábitos, acostumei-me a vê-la comer uma fatia de tarte de maçã com duas bolas de gelado e um chá com dois pacotes de açucar. Sempre achei aquilo um exagero, mas ela ia sorrindo à medida que ia saboreando e também por isso a admirava.
Porém, naquela tarde, achei-a diferente. Não sei se seria pelo camiseiro um nadinha mais desapertado, se pelo olhar. A verdade é que estava diferente. Quando pediu unicamente uma tarte sem gelado nem scones achei curioso, mas quando não colocou sequer um grão de açucar no chá, pensei que ali havia caso.

Tocou o telefone e não pude deixar de ficar atenta. Atendeu e pelo olhar e pelo sorriso, percebia-se que não se tratava das habituais chamadas da mãe ou da irmãs. Ia balbuciando umas palavras curtas, mais trejeitos que sons. Fingindo-me destraída, prestei atenção às despedidas, que sempre achei matéria interessante:
"Ás oito horas está óptimo. Na tua casa ou na minha?"


Goethe Garten- Weimar

Texto já editado, o qual me deu muito gosto escrever. Com uma dedicatória especial a quem, certamente, gostará de o ler, com as maiores felicidades.




Virginia Astley & David Sylvian - Some Small Hope

Sexta-feira, Outubro 30

NEIL DIAMOND - Mr.Bojangles

Do filme "O solista", do qual retirava, sem pestanejar, meia hora de cenas maçadoras.

Caixa amiga

Portrait de Caterina Sagredo Barbarigo par Rosalba Carriera
Fico muito satisfeita por me encherem de mimos, mas também veria com bons olhos se tanta gentileza viesse cheia de fantásticos euros, dólares ou libras, que não sou esquisita.
Seja como for, agradeço às soluções Caixa Woman as palavras simpáticas:

"AS MULHERES E OS BLOGS
Quem são as mulheres portuguesas que blogam? Poucas, mas boas. Conheça os melhores blogs de mulheres feitos em Portugal
Carla Hilário Quevedo anda por cá há muito tempo. A “dona” de Bomba Inteligente (http://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/) escreve na imprensa e é uma das mais reconhecidas bloggers nacionais. Entre as suas imagens de marca estão as variações sobre o tema “eu hoje acordei assim”, curtos posts compostos apenas por uma imagem sugestiva de um estado de espírito.
Também de estados de espírito se fazem os blogs "Miss Pearls" (http://misspearls.blogspot.com/), onde abundam as imagens, e, noutro sentido, "Fio de Prumo" (http://hsacaduracabral.blogspot.com/). Este último tem como autora Helena Sacadura Cabral, e apresenta-se num estilo sóbrio, minimal até, e intimista. A autora, reconhecida pelo grande público, não é ainda uma veterana dos blogs, mas escreve com regularidade, recuperando “estórias” e comentando a actualidade.
Voltando aos veteranos, um dos primeiros blogs no feminino a surgir em Portugal pertence a Rita Barata Silvério e chama-se "Rititi" (http://rititi.com/). O sucesso arrebatador que conseguiu desde o início fez com que do blog já tenha saído um livro, O Livro da Rititi, editado pela Oficina do Livro. Para terminar, Ana de Amsterdam (a blogar desde 2006), uma autora que comenta futebol, literatura, jornalismo, e o que calha. "

Quinta-feira, Outubro 29

ANA CAROLINA - GENTE HUMILDE

Onde é preciso morar


Disse-me a A.C., uma elegante estudiosa de manuscritos e da Harpers Bazaar, quando regressou de NY: "No Central Park, a olhar para Upper East Side em direcção aos prédios na 5ª Av."
Mais modesta, deixo o XVI ème para quem pode. Fico-me pelo Boulevard St Germain, com vistas para o rio e para o mundo. Aquela varanda poderia ser a minha.


Quarta-feira, Outubro 28

Um nome para cada coisa

Faltam as romãs, o sabor dos biscoitos e o cheiro do bolo de mel. Cada coisa tem o seu nome a minha saudade.


Peter, Paul and Mary - Leaving On A Jet Plane

Fora daqui

Place des Vosges
No 5º aniversário do Jansenista. Obrigada.
Exposition “Picasso et les maîtres” (Grand Palais)-Out. 2008
Montmartre
Montmartre-1º atelier de Picasso
Zurique-casa onde viveu LENIN "der Führer der russischen revolution"

Sarah Vaughan - Misty

Terça-feira, Outubro 27

Não desfazendo

Houve tempos em que esta era uma expressão de politesse. "A sua tia é uma santa mulher, não desfazendo", "o sr. Augusto sempre foi um homem prestável, não desfazendo". Como se diz agora, era uma fórmula dois em um: elogiava-se o ausente e passava-se a mão pelo pêlo ao nosso interlocutor, sem ofensa.
Devia ser simpático ouvir "a sua prima é muito bonita, não desfazendo, claro". Como se pudesse existir uma leve insinuação de que uma era deveras encantadora e a outra, um grande traste, não desfazendo. Não se ofendia ninguém. Pelo contrário, era uma forma lisonjeira de agradar mesmo que a sobrinha fosse uma megera, o patrão um miserável e a prima aparentada com a família Adams pelo lado do pai.
Na minha imaginação, "não desfazendo" implicava uma tonalidade de voz algo melosa, uma vénia, ou uma certa postura corporal reverencial. Sempre para não ofender, para não haver melindres, pois a sobrinha tinha fraca auto-estima, o patrão maus fígados e a prima guardava rancores calcinados pelo tempo. Não sei bem porquê, sempre a associei a um homem, mas os tempo eram outros, não era de bom tom a assertividade moderna nem os confrontos verbais medicados pelos psicólogos da actualidade. Ai o subconsciente, os demónios, a repressão familiar, os condicionamentos da religião, é só escolher. Poderia ser uma acto de cavalheirismo, mas igualmente de boa educação, sou uma exagerada.
No meu mais requintado cinismo, sempre acreditei que nem sempre de gentileza se tratava quando, de chapéu na mão ou voz melodiosa, se elogiavam as qualidades do ausente e se louvavam as virtudes do interlocutor, de preferência uma mulher. Vistas bem as coisas, a que propósito um homem tentaria agradar a um outro homem se não pela mais pura graxa, não desfazendo ? E lá estou eu, de novo, com os tiques modernos e a esquecer as relações de poder e as práticas de uma educação à moda antiga.
Anyway, fosse por cavalheirismo, educação ou um mero exercício de hipocrisia, não desfazendo, era uma expressão agradável. Nunca me disseram "O Einstein era um homem brilhante, ou a Eva Mendes é uma mullher lindíssima, não desfazendo", mas não se pode ter tudo e já sou do tempo do cavalheirismo em acelerada decadência.
É possível que ainda hoje se use esta expressão mas, não desfazendo, contém um tom jocoso que brinca com a sua utilização. "Para gozar", diz-se hoje. Uma laracha.
Nem sei bem porque me fui lembrar disto. Já em tempos escrevi sobre o estojo e o fumo. Talvez por ainda encontrar pessoas verdadeiramente gentis ou por me apetecer falar da hipocrisia. Para chata basto eu, não desfazendo.

Segunda-feira, Outubro 26


Manias!

O mundo é velha cena ensanguentada,
Coberta de remendos, picaresca;
A vida é chula farsa assobiada,
Ou selvagem tragédia romanesca.

Eu sei um bom rapaz, -- hoje uma ossada, --
Que amava certa dama pedantesca,
Perversíssima, esquálida e chagada,
Mas cheia de jactância quixotesca.

Aos domingos, a deia já rugosa,
Concedia-lhe o braço, com preguiça,
E o dengue, em atitude receosa,

Na sujeição canina mais submissa,
Levava na tremente mão nervosa,
O livro com que a amante ia ouvir missa!


Cesário Verde, in 'O Livro de Cesário Verde'

Sábado, Outubro 24

Lisboa à tarde






Uma Lisboa cheia de sol e o Chiado cheio de gente. E eu aqui ralada com as barragens sem água e a lavoura a pedi-la.

Sexta-feira, Outubro 23

Memórias a P & B


A horas decentes, enquanto as televisões por canal aberto vão debitando novela após novela, só a RTP Memória nos pode valer. As séries à séria hão voltar um pouco mais tarde nos canais por cabo, mas entre um café e a vida em dia, nada como uma programação velhinha recheada de excelentes momentos de televisão. Bem sei que o MacGyver anda de novo no ar, mas venho de uma casa em que aquelas artimanhas, feitas de tanta bricolage, não eram muito apreciadas pela facção feminina, largamente maioritária.
Há uns dias, os adoradores de séries britânicas puderem voltar a ver a vida, obra e amores de Lord Nelson, em episódios relatados por personagens que o acompanharam tanto no mar como em terra. Uma dessas persongens era Frances, a legítima, considerada uma mulher fria e de pouca beleza. Foi a sua última carta dirigida ao marido que o Almirante devolveu com a indicação "Opened by mistake by Lord Nelson, but not read".
Numa das cenas finais, Frances, que se manteve reservada durante toda a sua existência, passeia de barco com Lord Byron, que vai remando no lago. É a ele que Fanny conta parte da sua vida com o Almirante. O poeta pergunta-lhe se houve alguma ocasião em que ela se tenha cruzado com Emma, a outra, cuja relação escandalosa com o seu marido teria feito correr rios e mares de tinta em revistas da especialidade.
Austera mas com alguma ironia, Fanny (creio que desempenhada por Anna Massey) respondeu-lhe que tinha ficado atrás dela no teatro e que, quando Emma se levantou, reparou que ela tinha o cabelo sujo, o que a tinha levado a interrogar-se como seria possível que Lord Nelson estivesse apaixonada por um mulher que não lavava o cabelo.
Eu ligo a estas coisas. São também destes momentos, simples pormenores, que se vai fazendo um final de tarde.

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Não sei se a série seria I Remember Nelson (1982)

Na moda de Verão (mesmo final)

Era dia de eleições e a Moda Lisboa terminou, para mim, mais cedo do que tinha previsto. Um pouco desanimada, regressei a casa sem ver o Miguel Vieira e sem grande entusiamo para festas. No entanto, por essa altura, e depois de tanto calor no espaço dos desfiles, já se tinha derretido a linda maquilhagem que a menina da L'Oréal me tinha feito, mas vamos ao que importa e igualmente importantes nestes eventos, são os intervalos entre os desfiles, ocasião para breves conversas, comentários, e algumas bebidas que simpáticos barmen nos proporcionam.
Para além das colecções, há um outro mundo, que vive nas revistas do coração, ao qual estou imune. É o frisson causado pelos flashes das máquinas, das entrevistas, de gente produzida para o efeito. Finalmente, já se começam a notar algumas rugas e os anos a passar em gente que demorou a envelhecer. Fiquei mais consolada. Já não sou só eu que ganhar cabelos branco, rugas e peso. Tenho é que ganhar para a clínica de estética, isso sim.
De ano para ano, vou tendo cada vez maior dificuldade em identificar as carinhas larocas que se sentavam à minha frente ou mesmo ao meu lado, como uma tontinha que me queria convencer de que aquele lugar estaria ocupado. Minha linda, sou "anónima", mas não sou parva, "tá bem?"
Mas lá vinham todas e todos, com as respectivas legendas, numa das revistas que fez a cobertura do evento. Até me pareciam mais engraçados nas fotografias do que ao vivo e a cores. Sabem-na toda. Sobre a minha presença, nem uma nesga de cabelos, nem um vislumbre num cantinho superior direito na penumbra. Nada. Estou confinada ao anonimato, nesta fugaz feira das vaidades.
Quando passava por mim uma criatura em cinzento prata e perante os meus comentários pouco fashionable, dizia-me um conhecido jornalista de um jornal satírico (o meu momento de glória), que o problema é a falta de excêntricos. É possível, mas à míngua de roupas Viven Westwood ou de vampiras góticas, qualquer trapinho mais exuberante era um pitéu para os fotógrafos ou para línguas mais viperinas. Mesmo quando essas figuras têm idade para ter juízo. E depois, não estávamos num desfile do Galliano, nem Cascais é NY, não sou sequer uma temível editora de moda, nem tenho nenhuma coluna de gossip na Fox News.
Um comentário final para as saias curtas com botas, uniforme que praticamente todas as meninas pareciam usar, e para os sapatos estilo Maria Antonieta. Alguém descobriu que o século XVIII era uma mina para os criadores de calçado. Vendo bem, só mesmo Versailles para inspirar tanta fantasia.
Mais uma vez os meus agradecimentos à organização, gente muito simpática e, quem sabe, até para o ano. Tenho que sair mais à noite.

Na moda de Verão (quase final)

Bem sei que este post é já requentado, ou melhor, friorento. Foi-se o sol com que se começou mais uma edição da Moda Lisboa em Cascais e escrevo com chuva, o vento lá fora, com os pés frios e com os joelhos desgraçados de tão doridos para inaugurar a estação invernosa. A culpa foi do saco do lixo, dos sapatos a derrapar, do guarda-chuva incompetente, de uma rajada maiorzinha e da água que não parava de cair. A culpa foi, portanto, minha e só minha, não foi do Estado nem do município, o que é pena. A esta hora já tinha insultado este mundo e o outro da minha miséria tratada a gelo e Betadine. Para a próxima, o lixo pode esperar. Por uma "aberta", claro.
Já me dispersei. Afinal este post era sobre o final da Moda Lisboa em Cascais. Para o ano há mais, mas de volta a Lisboa. Por lá, vai ficar o Estoril Fashion e este post fica mesmo assim.

Terça-feira, Outubro 13

Na moda de Verão (10)






Desfile Nuno Gama
Tenho pouco a dizer. Os rapazes eram bonitos, elegantes e até pareciam bem catitas com as calças cor-de-rosa, amarelas ou verde alface. Exctamente porque são bonitos, novos e elegantes, claro. Qualquer canastrão que se aventure a usar aquela roupa modernaça fica, no mínimo, com aspecto de palhaço. Mas quem sou eu para fazer estes comentários? Um conservadora que não aguenta homens de botines nem com aspecto de quem perde mais tempo do que eu em frente ao espelho?
As roupas com correntes, esburacadas, abertas, largas, podem ser até engraçadas, mas não são para todos. Já nem sequer falo dos calções de praia nem dos fatos de cerimónia, que não desdouravam nos prémios MTV. Seja como for, espero pelo Verão para os ver nas esplanadas da cidade ou em algum local mais fashion onde porventura eu ponha os pés.
Fico-me com os adereços coloridos, em forma de pássaro ou de cruz, que até a mim ficavam bem.

Na moda de Verão (9)

Na moda de Verão (8)




Desfile Pedro Pedro

Na moda de Verão (7)






Na moda de Verão (6)





Desfile Hello Kitty

Segunda-feira, Outubro 12

Maria Luisa







As mãos de minha mãe
8 anos de tanta saudade

Domingo, Outubro 11

Na moda de Verão (5)

Sem tempo para textos, ficam para já as fotografias.
Brevemente, algumas palavras sobre tanta coisa.



Na moda de Verão (4)


Na moda de Verão (3)

Na moda de Verão (2)




Na moda de Verão (1)




(Desfile)
Gostei sobretudo das cores: o branco, o pastel, o tijolo e as tonalidades pastel. Fico sem jeito perante os plissados, os drapeados, o estilo baby-doll, moda balão e roupa demasiado "trabalhada". Estarei porventura a ser injusta ou é o calor que me tolda o juízo, mas já vi melhor da estilista.
Seja como for, aquilo não é roupa para mim o que, em abono da verdade, não é critério que valha de muito.

Sábado, Outubro 10



Parabéns, minha irmã.

O mundo anda estranho


Só uma ou duas notas antes de ir ver miúdas giras e rapazes vestidos para o Verão.

Provavelmente os artistas estão fora do alcance da lei, mas não consigo entender o apoio de realizadoares e actores contra a detenção de Roman Polanski. O homem que se apresente na Justiça e resolva o problema uma vez por todas, em vez de andar a fugir há um ror de anos. Julgo até que a jovem que ele molestou já retirou a queixa contra ele, mas lei é lei, para os artistas também.

A propósito deste desvario, vale a pena ler o caro Jansenista e a Rititi.

O Presidente Obama nunca foi santo da minha devoção, mas parece que tem uma grande tropa de fiéis que o acharam merecedor de ganhar um prémio em doze dias. Como escreve o JCD "Qualquer dia, o Nobel sai como brinde no Chocapic."

É boa altura para recordar o velhinho Archie Bunker, num tempo em que o politicamente correcto ainda não tinha chegado.

"Trago fado nos sentidos"


A avaliar pelo grande número de peritos em "Amaliologia", suponho que devo ser das poucas pessoas que nunca privou com a fadista, nunca a entrevistou, a viu cantar, nem tomou chá com ela.
É verdade que não gosto de fado, mas sempre lhe admirei a beleza e o talento. Resta-me ouvi-la, uma mulher que "gostava de ser quem era"

Andar à nora


A melhor coisa para passar os tolinhos dias de reflexão é sair do local do local onde vamos votar. Devíamos ir reflectir para fora das nossas cidades, aldeias, vilas e até mesmo para fora do país, aproveitando um dos mais fantásticos benefícios da modernidade, os vôos low cost.
Não é preciso ir muito longe. A Europa civilizada fica a poucas horas daqui e sempre servia para ver que há locais sem trampa de cães nos jardins, sem carros nos passeios, eco-pontos imundos e onde, sem ser por milagre, se consegue ter qualidade de vida.
Basta uns dias fora de Lisboa para o regresso se configurar penoso. Parece que anda tudo doido. Em escassos minutos damo-nos conta de que para além de haver automobilistas com comportamentos anti-sociais, ainda temos que aturar os malcriadões. São as buzinadelas constantes, os atropelos e os insultos de janela aberta, a complacência de todos (polícia incluída) com o caos gerado por segundas filas, cargas e descargas desordenadas, como se uma cidade estivesse condenada a uma fatalidade de indisciplina e badalhoquice.
Parece que não querem viver de outra forma. Como diz a canção "uma estranha forma de vida". Melhor ainda, Tudo isto existe. Tudo isto é triste. Tudo isto é fado.

Sexta-feira, Outubro 9

Moda de Verão

À semelhança de sessões anteriores, terei o maior gosto em estar presente em mais uma Moda Lisboa, podendo ser facilmente reconhecida pelo template amarelo.

Agradeço de novo à organização a simpatia e lá estarei para ver as meninas e os meninos vestidos para o Verão 2010. Mini-saias, vestidinhos, roupas frescas e copos de champagne, brevemente neste blog.

Sexta-feira, Outubro 2

Bons ares



E depois da política, voltamos à aldeia. Mesmo daqui de tão longe, parece que este blog chegou ao Brasil onde, desgraçadamente, nunca estive. Das festas em honra da Nossa Senhora da Ajuda, meia dúzia de palavras para o blog da mulher.
Aqui só há oliveiras e azinheiras mas garanto que, no Verão, o calor é de rachar. Um longo caminho desde o tempos em que, em criança me divertia a ver os sapos na fonte fresca da aldeia.
Esta é também uma forma de agradecer às leitoras do lado de lá do Atlântico.

Segunda-feira, Setembro 28





Não é preciso muito.




Casa das Histórias Paula Rego

Só posso dizer bem deste Museu e de uma fantástica manhã de Domingo.

Um vencedor na minha galeria

de notáveis. Pois é com muito gosto que dou os parabéns ao Barão Theodor von und zu Gutemberg, Ministro da Finanças da Sra Merkel.
Este Barão da Baviera, com lugar garantido nesta humilde casa, conhecido por admirar os AC/DC [não se pode ser perfeito], foi um dos trunfos eleitorais da Chanceler:
"Nunca um político na Alemanha ganhou tanta popularidade em tão pouco tempo", comentava o diário Süddeutsche Zeitung.".
"O barão com o cabelo cheio de gel e charme à moda antiga é talvez a única estrela política na Alemanha", comentou a revista Der Spiegel."
As alemãs e o alemães sabem o que é melhor para eles.

Quinta-feira, Setembro 24




Não, meus amigos. O mar não está nada flat.

Hoje



Debate entre os blogues Jamais e Simplex, às15h, no Anfiteatro 6 da Faculdade de Direito de Lisboa .
Do nosso lado participam André Abrantes Amaral, Paulo Marcelo e Rodrigo Adão da Fonseca.
Naturalmente, este é o meu lado, escrito a laranja.

Acordar assim



Há dias em que se acorda assim. Sem vistas para a modernidade, para a mundivisão e para as maroscas. Só as palavras de Oliveira Martins que fala de um nobre e valente guerreiro que "tinha em si o que levanta as montanhas. Tinha a fé e uma virtude imaculada. Uma esperança firme e um valor indomável".
Ganha vida cedo, a avenida numa manhã maravilhosa de Domingo (Não me falem da luz de Lisboa que poucos veêm, valha-me Deus). Ouvem-se concertinas de excursões que aproveitam o bom tempo, enquanto se instalam, à sombra das árvores, os vendedores de velharias em cima de bancos corridos. De traje aprumado, começam a chegar os fiéis para a Missa da manhã. Estão velhotes, os vizinhos.


THE COMMODORES-EASY-1977
That's why I'm easy
I'm easy like Sunday morning
I wanna be high, so high
I wanna be free to know
The things I do are right

Quarta-feira, Setembro 23

Pouca terra




Uma velha linha de comboio com uma paisagem de rocha e água num trajecto conhecido vezes sem fim. Mais seguro do que a estrada que mata os nossos e mais sensato que todas as pressas, desconfio que poucos o prezam. É pena. A velocidade e o betão tiraram-lhe a relevância de outrora, se bem que agora mais cómodo e mais rápido. Chega quase sempre a horas, o comboio da Linha da Beira-Baixa. Clientes antigos não esquecem os caprichos das velhas linhas que nos faziam parar junto a coisa nenhuma. Era estranha aquela escuridão e o silêncio das bermas. E o comboio da outra linha que nunca mais vinha dos apeadeiros e das pontes velhas sobre o Tejo. A gente queria chegar, na estação a família já esperava, mas as velhas máquinas tinham um tempo que não era o nosso.
Lembrei-me disso quando vi, no regresso, bandos de jovens de volta à capital. Podíamos ter sido nós há muito anos, mas sem computadores para ver filmes, sem música nos ouvidos ou telemóveis para comunicar. Curiosamente, já não carregavam os sacos pesados, cheios de tudo e roupa lavada. Outros tempos de menos fartura mas com os mesmos sonhos.
Atravesso a estação sem olhar. Detesto aquele lugar onde se sente, à partida e à chegada o vazio prematuro e inconcebível de tantas ausências.
São histórias de linhas de comboios que se confudem com a linha da vida.

Sexta-feira, Setembro 18

Parecem bandos...

É possível que eu ande a ver filmes a mais, mas creio estar em condições de garantir que a mosquitagem, hoje em dia, está praticamente imune aos métodos habituais de destruição. Dito de outra forma, o xeltox parece-lhe um figo e fogem dos repelentes eléctricos com as maiores acrobacias aéreas. Quanto ao velhinho mata-moscas, há muito que lhe conhecem o formato, sabem com o que contam e como lhe devem escapar.
Vistos aos microscópio é possível vê-los esfregar as antenas de contentamento com mais uma deliciosa bombada de Baygon, fortalecidos pelos choques eléctricos ou tonificados para abundantes e arrojadas horas de vôo.
São bichos velhos, que já resistiram a glaciares, dinaussauros, vulcões, pragas, guerras, à fúria dos homens e dos elementos. Têm já muitos séculos, tempo mais que suficiente aumentarem as competências dos sensores e para reagirem com eficiência aos estímulos visuais e de calor.
A gente vê a caixa com batatas, cebolas e alhos, culpabiliza a rua, a vizinhança, aumenta a dose de insecticida, e ainda lá andam eles, rentes aos nossos ouvidos, cruzando os ares em frente aos nossos olhos.
Zzzzzzzzzzz..
Não é trabalho para aprendizes.

Se Essa Rua Fosse Minha


Se essa rua
Se essa rua fosse minha
Eu mandava
Eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas
Com pedrinhas de brilhante
Só pra ver
Só pra ver meu bem passar

Nessa rua
Nessa rua tem um bosque
Que se chama
Que se chama solidão
Dentro dele
Dentro dele mora um anjo
Que roubou
Que roubou meu coração

Se eu roubei
Se eu roubei teu coração
Tu roubaste
Tu roubaste o meu também
Se eu roubei
Se eu roubei teu coração
Foi porque
Só porque te quero bem

Quarta-feira, Setembro 16


Simply Red - Sunrise

Sexta-feira, Setembro 11


"Woke up. got dressed & thought about every one of the 2970 who did the same 8 yrs ago. Let's have a tweet of silence to remember them all."
Oprah no Twitter

Sexta-feira, Setembro 4

O fim das sobremesas - Nuno Costa Santos

Quinta-feira, Setembro 3

Na blogoesfera


Conto de Fuga da minha amiga Clara, o regresso do Pedro Mexia com a Lei Seca e a Rua Direita, onde residem apoiantes do CDS, todos naturalmente bem vindos ao meu blog.
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O último livro de Miguel Real, "A Ministra", referido no Almocreve das Petas. Há muito tempo que não lia um livro com tanto gosto.

Segunda-feira, Agosto 31

Os colas

Quase os ouvimos respirar atrás de nós de tão perto que se encontram. Fico possessa quando os sinto, os vejo e quase lhes ouço a respiração, praticamente colados a nós nas caixas, nos bancos, nos consultórios médicos, quer haja uma conversa banal ou alguma troca de informação pessoal entre nós e o nosso interlocutor. Há mesmo quem apoie os braços e o corpo nos balcões onde estamos a tratar das nossas vidas, gente que nos quer fazer companhia nas alegrias e nas chatices, assim nos débitos como nos créditos.
Não sei o que os impele na nossa direcção, se o medo de perder a vez, a curiosidade, a ansiedade ou simplesmente porque podem. Ali ficam à coca, a olhar para os nossos papéis, a ouvir ao que vimos, suspirando, rogando pragas por qualquer demora, rosnando entre dentes como forma de pressionar, apressar ou até para provocar a "solidariedade" dos que aguardam mais lá para trás.
Comigo não resulta. Nem nas filas dos balcões nem na estrada. Bem podem atirar-me luzes, buzinas, rosnadelas, suspiros lancinantes ou insultos disfarçados, tudo inútil. Não me impõem ritmos a que não sou obrigada, se bem que fico sempre compungida de dor por, involuntariamente, lhes estragar a média, prova de outra grande perícia manual, esse grande feito português.
Por isso, agrada-me aquele risco vermelho no chão que acautela as distâncias e garante a nossa privacidade. A malta resmunga na mesma, mas já não a ouvimos.

Domingo, Agosto 30

Um dia de sol


Sexta-feira, Agosto 28

Jamais


"Nevermore", diz o pássaro de Poe vindo das sombras da noite. Jamais, suspira a linda Charlotte de voz doce, enquanto o agente 007 garante "Never Say Never Again" embalado nos braços da Bassinger.
Por cá, o advérbio de tempo é bem menos poético e mais terra a terra, com discussões sobre terrenos para o aeroporto, não obstante soar a francês.
No entanto, jamais também dá nome a um blog onde se encontram alguns amigos com boa cabeça e boa escrita.

Um outro sol



Já se sente outro sol. São assim os finais de Agosto, fim de férias, outro aniversário, outra luz de fim de dia, já mais curto e sisudo como os tempos que aí vêm.
Sente-se um outro ar, que corre mais fresco nos corpos morenos que pedem abrigos, sacode-se a areia e já batem as portadas das janelas do vento que volta de novo.
É o fim de tempo que se quer livre, ligeiro, sem contratempos nem contrariedades. Ganham-se cores e forças para as velhas rotinas, amaldiçoadas e abençoadas, quando o corpo tem saúde e força para as vencer.
Fecham-se as cadeiras e guardam-se as lancheiras, é mais um ano que passa. O importante é voltar.

Quinta-feira, Agosto 27

"Las personas ligeras"


" (...) Y, sobre todo, tenían ciertas dosis de ingenuidad verdadera, algo hoy tan mal visto o poco apreciado. Lo que luce más es estar de vuelta de todo, mostrarse incrédulo, pensar mal de los demás y por supuesto practicar la maledicencia.(...)
Sí, yo he conocido y conozco a mujeres contentas de su mera existencia, de risa generosa y fácil, lo cual no quiere decir de risa tonta; dispuestas a ver el lado gracioso de las cosas en casi toda oportunidad.(...)
Casi todas las personas así que he conocido han sido, por otra parte, extremadamente inteligentes, aunque sin pretensiones: lo eran de forma natural y no necesitaban exhibirlo, ni recalcarlo, ni recibir aplausos por ello. Tampoco eran afanosas ni ansiosas, sino bastante contentadizas. Y desde luego carecían de resentimiento. Con personas así, o que participaban de algunos de sus rasgos, he mantenido las más interesantes y provechosas conversaciones. Personas así me han enseñado más que otras oficial y aparatosamente brillantes. Con personas así no he tenido jamás la sensación de perder el tiempo. He buscado su compañía en la medida de mis posibilidades, o en la medida en que ellas me han aceptado en su cercanía. Si son tal bendición, si tanto aligeran la pesadumbre, ¿por qué no están casi nunca donde podamos verlas, públicamente, en las televisiones? Seguramente porque las desdeñan y no quieren salir en ellas. Pero entonces, ¿por qué no hay más en la vida?"
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Texto recordado pelo Pedro Lomba no FB




Um video muito fraquinho para abrilhantar uma cançoneta fraquinha dedicada ao signo Virgem que, por acaso, merecia coisa melhor.
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(...) Virgo has to know the why the who what when and where (...)
I'll wipe and dust and empty while the party's in full swing everything right in its place and a place for everything(...)

Terça-feira, Agosto 18



Só boas notícias. Regressada dos vulcões e das praias azuis, os nossos governantes anunciam que estamos a sair da recessão técnica (não sei bem o que seja, mas não importa). Posto isto, vou novamente de férias.

Até já.

Bruno

Também me questionei como é que o Sasha teria encontrado um terrorista de verdade.
Hilariante: Sasha Baron Cohen explica a David Letterman como conseguiu entrevistar um terrorista islâmico em "Bruno"
Por mim, ficava melhor um nadinha bronzeado. Fora isso, nada dizer.


Segunda-feira, Agosto 17

De volta à blogoesfera




Antes de partir para férias, deixei o texto Os números do meu descontentamento que escrevi para o Jamais, um ‘blog' feito por apoiantes do Partido Social Democrata para as legislativas. Cada um escreve sobre o que melhor sabe ou o que mais lhe dói.
De longe, acompanhei um pouco o feito do 31 da Armada na Praça do Município. Mais que não fosse, deixou a nu a fragilidade da nossa segurança num local nevrálgico da cidade. A esta hora, a culpa já deve ter morrido solteira ou, velha gaiteira, passou de mão de mão.
Gostei muito deste texto da Sofia sobre o carácter estigmatizante e anti-social da tristeza. Recordou-me um outro que escrevi em tempos (com menos talento), também sobre a tristeza, essa grande maçada.

"A esquerda raivosa", um texto bem escrito do Duarte Calvão. É mesmo assim.

Outros ares





Suponho que seja já uma prática com algum tempo, as férias com pulseiras de plástico, pois vejo-as um pouco por todo o lado onde haja um resort (para rico ou remediado) ou um clube de férias e em diversas cores. Confesso a minha ignorância nesta matéria, pois dinheiro de plástico só mesmo os cartões, e mesmo assim, usados com moderação.

A ideia pode ser muito moderna e prática, mas não me convence. A verdade é que andam por aí, com os recuerdos nos pulsos. Haja alegria e pulseiras para trocos.

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Estou assim de volta à super ocupação das beiras de estrada, onde germinam as vendas de atoalhados, bares manhosos, publicidade caótica, restaurantes com néons, carros nas curvas ou nas ciclovias e aos clássicos contentores do lixo. Não há quem tenha mão nisto. É assim o espaço público nacional: sempre mais cheio, mais alto e mais feio.






Thus Spoke Zarathustra - 2001 : A Space Odyssey

Mais do que imagens











Para além das olivinas e dos vulcões, a ilha está povoada de diabinhos, sapos (deconheço a razão porque não vi nenhum), figueiras, caranguejos albinos nas grutas (não vejo assim tão bem), palmeiras, cactos, formas tradicionais de cultivo e papagaios (só vi um). De assinalar os inefáveis camelos (umas boas dezenas) que passeiam pares de turistas tanto pelos terrenos de lava como pelas dunas da praia.
Ouve-se muito falar da crise (e sente-se), mas desconfio que os ventos secos e as águas quentes afastam o vírus que anda por aí nos espirros de muita gente. Até agora, febres altas, só mesmo a temperatura em Lisboa.
De resto, uma grande tranquilidade. Confesso que a ausência de portugueses (por onde andei), com os seus habituais "questionários", também ajudou.
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